Assinatura atrasada e a censura no Estadão

by Alexandre Secco on 03/09/2009 · 0 comments

2009-09-03_0933No dia 23 de agosto  fiz uma assinatura do Estadão pela internet, forneci os dados do cartão de crédito e recebi um email saudando-me como assinante. Até hoje, depois de vários telefonemas para a “dona Gerúndia”, aquela moça do atendimento ao assinante que vai estar tentando resolver seu problema, nada consegui, a não ser promessas e uma coleção de explicações e versões. A essa altura do campeonato, 11 dias para processar uma assinatura é o fim do mundo, convenhamos. Recebi ontem uma caixa com livros da Amazon que pedi no dia 28 de agosto (cinco dias depois de solicitar minha assinatura ao Estadão). O trabalho é o mesmo: processar um pedido, cobrar e despachar. Tem o que falar sobre essa demora toda? Acho que não. Para a sorte do Estadão, gente da minha geração já viu coisa pior e tem mais tolerância para enfrentar esse tipo de problema. Quando comprei meu primeiro computador esperei três meses para receber. Só não consigo ver minhas filhas, que ainda não foram alfabetizadas,  discutindo com operadores de telemarketing por quase duas semanas para receber um papelucho que foi contratado pela internet. Quando elas nasceram a Amazon já conseguia fazer suas entregas pelo planeta com preço acessível e prazo razoável.
Censura  — Tudo isso porque ao abrir o Estadão online notei pela primeira vez que há um relógio contando os dias de censura (confira o post sobre o assunto). Eu continuo achando que “censura” é um termo inadequado e o tal reloginho da censura me deixou desconfortável. O Estado de S. Paulo tem autoridade para falar sobre o assunto porque já foi vítima de censura de verdade, a combateu com dignidade e deu um exemplo de respeito aos valores mais elevados de uma sociedade. Transformar uma discussão jurídica em debate sobre a liberdade de expressão não me parece lá muito adequado. A todo instante no Brasil os magistrados impedem pessoas e empresas de fazer coisas e concedem direitos e benefícios a outras. Muitas dessas decisões são contestadas e reformadas, várias dessas medidas são consideradas inadequadas e outras são acatadas. Há falhas, mas o sistema jurídico está em pleno funcionamento a fim de tentar evitar os excessos. Continuo respeitando o Estadão e seu direito de se defender, só não acho que a causa na qual embarcou esteja no nível de tudo que já fez, nem que seja a mais atual e de maior interesse.

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